O valor do invisível: por que ativos intangíveis valem mais do que se imagina
- Lou Irie

- 16 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Texto disponível em Revista Celebrar
Há algo curioso (e valioso!) em tudo aquilo que não se vê.
Em um mercado cada vez mais saturado de produtos similares, a diferença raramente está no que se entrega (ou no benefício funcional do produto). Está em como a gente se sente e em como somos percebidos enquanto consumimos qualquer marca. Afinal, até 95% das decisões de compra acontecem em nível subconsciente* - nos níveis emocionais e simbólicos. (Sim, eu também me assustei!).
Está na construção da marca - essa entidade "invisível" que, quando estrategicamente projetada, transforma empresas em ícones, produtos em desejos e serviços em experiências inesquecíveis.
De galpões a sentimentos: o novo lastro do capital
Até o fim do século XIX, o valor de uma empresa se media pelo que ocupava em espaço físico: prédios, máquinas, estoques. Eram os chamados ativos tangíveis: concretos, visíveis, palpáveis.
Hoje, o valor patrimonial engloba também os ativos intangíveis - propriedades que não podemos "segurar", mas que impulsionam o negócio: reputação, capital intelectual, relacionamento com clientes, etc.
Aposto que você tem, ou quer ter, um produto de uma empresa cujo valor de marca (“Brand Value" ) foi estimado em US$ 574,5 bi, enquanto seu patrimônio físico em US$ 45,68 bi, ou seja: o direito de uso dessa marca vale mais de 10 vezes o valor do seu patrimônio físico.*
Mas não é necessário ser um gigante para usar o “poder do Branding” no seu negócio. Na verdade é "só" criar as condições para que se consiga reformular uma antiga equação: se antes preço era a somatória de matéria-prima + mão de obra, hoje tem-se uma abordagem mais sofisticada, onde: preço = marca + produto.
O intangível que move empresas
É nesse cenário que o Branding se revela não como adereço, mas como lastro estratégico. Para entender melhor, vemos os produtos/serviços em três pilares:
Funcional: produto em si, o que a marca entrega de forma clara e consistente.
Emocional: o que eles despertam, como fazem as pessoas se sentirem.
Simbólico: o que representam para quem consome e para quem observa.
Os três são fundamentais. Porém entregar a funcionalidade que foi prometida, na maioria dos casos, não é diferencial - é o preço que se paga para entrar no jogo.
É quando os níveis emocional e simbólico entram em cena que a “mágica" acontece: um carro deixa de ser apenas um meio de transporte e vira projeção de estilo de vida. Um relógio vai além de marcar o tempo e se torna um marcador de status. Um restaurante deixa de ser só mais um lugar para comer, mas se torna um espaço que vende aconchego, que cria e resgata memórias.
O paradoxo do invisível
O valor da marca está, justamente, onde a mão não alcança. Ele reside nas associações mentais, no vínculo emocional, na narrativa que permeia a marca. E, cada vez mais, são esses os fatores que definem o quanto alguém está disposto a pagar.
Uma marca forte não quer - explicitamente - vender, ela estrategicamente faz com que os consumidores desejem comprar.
Branding não só enfeita, ele sustenta
Trabalhar uma marca não é fazer algo sem valor parecer valioso. Não é enganar o consumidor. É revelar com clareza o que já existe de importante, e conectar isso à mente e ao coração do público certo. É posicionar, comunicar, gerar vínculo e, acima de tudo, criar coerência entre promessa e entrega.
É isso que sustenta negócios que não apenas vendem - mas permanecem.
No próximo brinde...
Falaremos sobre um ingrediente que é essencial para qualquer marca que deseja permanecer relevante ao longo do tempo: a coerência. E, no meu ponto de vista, poucas estratégias são tão poderosas quanto alinhar posicionamento e entrega com verdade.
Até lá, uma provocação:
Você sabe o que vende. Mas será que seu cliente sente o valor do que você entrega?
* Fontes:
Sobre as decisões subconscientes: Segundo Gerald Zaltman, professor da Harvard Business School, 95% das decisões de compra acontecem no nível subconsciente, conforme seu livro "How Customers Think: Essential Insights into the Mind of the Market" (2003). Fonte: https://hbswk.hbs.edu/item/the-subconscious-mind-of-the-consumer-and-how-to-reach-it
Sobre o valor da Apple: A Apple foi classificada como a marca mais valiosa do mundo em 2025, com brand value de US$ 574,5 bilhões Apple is the 2025 most valuable brand in the world, NVIDIA breaks into top ten | Press Release | Brand Finance, segundo o Brand Finance Global 500 2025. Fonte: https://brandfinance.com/press-releases/apple-is-the-2025-most-valuable-brand-in-the-world-nvidia-breaks-into-top-ten
Sobre o patrimônio físico da Apple: O patrimônio físico da Apple (Property, Plant, and Equipment) em 2024 foi de US$ 45,68 bilhões Apple Property, Plant, and Equipment 2010-2025 | AAPL. Fonte: https://www.macrotrends.net/stocks/charts/AAPL/apple/net-property-plant-equipment
Comparação: Brand value de US$ 574,5 bi vs. patrimônio físico de US$ 45,68 bi = a marca vale aproximadamente 12,6 vezes mais que os ativos tangíveis da empresa



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